'Os oráculos têm um lado bom e outro ruim. O bom é proporcionar mais conhecimento. O ruim é que a gente não resiste a querer encurtar o processo de conhecer uma pessoa, que levaria meses, para uma semana. Sei que é pura ansiedade, mas ainda ajo assim.
Tenho ainda a minha cartomante e vidente. Só a consulto em casos extremos de paixão. Ela diz quando a relação não tem futuro. Às vezes saio de lá muito mal. Confesso que já manipulei a situação, baseada no que descobri nos livros ou nas cartas. Me lembro de um rapaz que, segundo o horóscopo, adorava coisas exóticas. Eu o levava a restaurantes exóticos, falava de assuntos exóticos e ele ficava estarrecido!
Só uma vez deixei escapar que sabia mais sobre a personalidade de um rapaz do que ele havia me dito. Soltei algo como ‘inclusive teu horóscopo mostra isso’ e percebi que ele não gostou. Pensando bem, é uma invasão absurda! Se fizessem comigo, eu iria detestar. Uma vez um namorado meu fez meu mapa astral, onde aparecem coisas boas e ruins. Quem quer mostrar o ponto fraco logo no começo?'
Autoconhecimento ou dependência?
A psicoterapeuta Monika von Koss analisa a mania dos oráculos
Marie Claire – Qual a função das práticas esotéricas na vida das pessoas?
Monika von Koss – Constatou-se que as conquistas materiais não traziam a felicidade prometida pela sociedade de consumo. As pessoas então se voltam para esse tipo de experiência na tentativa de buscar a paz e a compreensão de si mesmas.
MC – É possível ficar dependente?
MVK – Sim, quando o contexto emocional é de insatisfação e insegurança. Da mesma forma que se desenvolve dependência de álcool e drogas, pode-se desenvolver obsessão por trabalho ou práticas esotéricas.
MC – Quando a prática mística é positiva e quando é prejudicial?
MVK – Tais práticas podem manter ou reforçar uma condição de dependência, insegurança, ilusão ou falta de confiança já presente na pessoa. Do lado positivo, pode trazer consciência, levantar dificuldades e sugerir meios de trabalhar com elas.
MC – Por que as mulheres se interessam mais por esoterismo?
MVK – As mulheres são consideradas mais emocionais e subjetivas, não precisam manter a máscara de racionalidade dos homens.
MC – Por que as pessoas mudam tanto de oráculos?
MVK – Pessoas que fazem consultas compulsivamente não confiam em si mesmas e, por decorrência, não confiam nos oráculos. Elas se apaixonam por qualquer coisa nova que surge. Ignoram as respostas que não lhes agradam e vão buscar outro oráculo para confirmar o que querem ouvir.
MC – Existe muita manipulação?
MVK – Sim, mas é uma característica humana, não só do meio esotérico. Manipula-se usando o poder político, financeiro, sexual... O único meio para não ser vulnerável à manipulação é ter autoconfiança. Uma pessoa bem estruturada enfrenta melhor as tentativas de controle, seja qual for a origem.
Fonte:http://marieclaire.globo.com/edic/ed128/rep_misticaa.htm
Tenho ainda a minha cartomante e vidente. Só a consulto em casos extremos de paixão. Ela diz quando a relação não tem futuro. Às vezes saio de lá muito mal. Confesso que já manipulei a situação, baseada no que descobri nos livros ou nas cartas. Me lembro de um rapaz que, segundo o horóscopo, adorava coisas exóticas. Eu o levava a restaurantes exóticos, falava de assuntos exóticos e ele ficava estarrecido!
Só uma vez deixei escapar que sabia mais sobre a personalidade de um rapaz do que ele havia me dito. Soltei algo como ‘inclusive teu horóscopo mostra isso’ e percebi que ele não gostou. Pensando bem, é uma invasão absurda! Se fizessem comigo, eu iria detestar. Uma vez um namorado meu fez meu mapa astral, onde aparecem coisas boas e ruins. Quem quer mostrar o ponto fraco logo no começo?'
Autoconhecimento ou dependência?
A psicoterapeuta Monika von Koss analisa a mania dos oráculos
Marie Claire – Qual a função das práticas esotéricas na vida das pessoas?
Monika von Koss – Constatou-se que as conquistas materiais não traziam a felicidade prometida pela sociedade de consumo. As pessoas então se voltam para esse tipo de experiência na tentativa de buscar a paz e a compreensão de si mesmas.
MC – É possível ficar dependente?
MVK – Sim, quando o contexto emocional é de insatisfação e insegurança. Da mesma forma que se desenvolve dependência de álcool e drogas, pode-se desenvolver obsessão por trabalho ou práticas esotéricas.
MC – Quando a prática mística é positiva e quando é prejudicial?
MVK – Tais práticas podem manter ou reforçar uma condição de dependência, insegurança, ilusão ou falta de confiança já presente na pessoa. Do lado positivo, pode trazer consciência, levantar dificuldades e sugerir meios de trabalhar com elas.
MC – Por que as mulheres se interessam mais por esoterismo?
MVK – As mulheres são consideradas mais emocionais e subjetivas, não precisam manter a máscara de racionalidade dos homens.
MC – Por que as pessoas mudam tanto de oráculos?
MVK – Pessoas que fazem consultas compulsivamente não confiam em si mesmas e, por decorrência, não confiam nos oráculos. Elas se apaixonam por qualquer coisa nova que surge. Ignoram as respostas que não lhes agradam e vão buscar outro oráculo para confirmar o que querem ouvir.
MC – Existe muita manipulação?
MVK – Sim, mas é uma característica humana, não só do meio esotérico. Manipula-se usando o poder político, financeiro, sexual... O único meio para não ser vulnerável à manipulação é ter autoconfiança. Uma pessoa bem estruturada enfrenta melhor as tentativas de controle, seja qual for a origem.
Fonte:http://marieclaire.globo.com/edic/ed128/rep_misticaa.htm



"Viver é adaptar-se."
Euclides da cunha



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